Quando chegou a noite de 28 de junho de 1969, estavam todos reunidos no mesmo lugar: o bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, Nova York. De repente, veio de fora um forte estrondo, como se fosse uma ventania, que logo encheu o lugar onde eles se encontravam: era mais uma batida policial, como de costume.
No entanto, nesse momento, acenderam-se como que línguas de fogo na mente e no coração das pessoas reunidas no Stonewall e todas foram tomadas por uma sagrada indignação, que se manifestou em cada uma delas.
Todas, todos e todes ficaram cheios de um desejo de liberdade e começaram a falar, gritar palavras de ordem, cantar canções de protesto, como “We shall overcome” (Venceremos), e a insurgir-se contra a repressão policial.
Todos, portanto, falavam a mesma língua. Moravam e se divertiam naquele bairro de Nova York pessoas das mais diversas origens, identidades de gênero e orientação sexual. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão e todos ficaram, a princípio, confusos, pois cada um entendia em sua própria carne aquele ímpeto de liberdade que tomava a todos.
Cheios de espanto e admiração, diziam, com seus gestos, cantos, corpos e mentes: “Essas pessoas que estão protestando não são todas vítimas de silenciamento e repressão? Como é que nós os entendemos em nossa própria carne e realidade? Nós que somos gays, lésbicas e bissexuais; travestis, transexuais e transgêneros; queers, não-binários e assexuais; intersexo e até heterossexuais.
Somos da cidade, da periferia, do campo; negros, brancos e amarelos; gente da Ásia, da África e das Américas, da Europa e da Oceania, também norte-americanos que aqui residem; crentes e ateus, jovens e
velhos. Todos nós os entendemos em sua paz inquieta e expressiva, anunciar a liberdade, resistir e inaugurar um novo tempo.”
Palavra do Amor
Edilson Cruz – professor
MOPA – Movimento Pastoral LGBT “Marielle Franco”
Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+